O episódio 110 de Dragon Ball Super representou um divisor de águas na trajetória de Goku. A sequência mostrou o protagonista sendo engolido por sua própria explosão de poder, o que simbolizou o início de uma transformação inédita. O momento marcou a primeira aparição do Instinto Superior, um novo patamar de poder que levaria Goku a rivalizar com entidades divinas dentro do universo da franquia.
O público testemunhou o nascimento de uma das formas mais icônicas do personagem, embalada por uma trilha sonora impactante e por uma aura de mistério. Essa forma surgiu como resposta à pressão imposta por Jiren durante o Torneio do Poder. Ainda instável e incompleta, a transformação trouxe consigo consequências físicas graves e revelou as primeiras limitações do novo estado.

Sumário
Domínio emocional: a chave para o verdadeiro poder
A principal característica do Instinto Superior em Dragon Ball é a capacidade de agir sem pensar, permitindo que o corpo reaja por puro reflexo. Esse estado exige calma absoluta, uma mente livre de emoções e um foco quase sobrenatural. No entanto, esse estilo de combate entra em conflito direto com a essência de Goku — um guerreiro saiyajin movido pela paixão e pela vontade de lutar.
Ao tentar imitar os Anjos, seres que atuam com total neutralidade emocional, Goku percebeu que havia um limite em tentar seguir um caminho que não era genuinamente seu. A frieza exigida pelo Instinto Superior colidia com seu impulso natural de proteger os amigos, desafiar adversários poderosos e explorar os próprios limites. Essa tensão interna passou a ser um dos maiores obstáculos para o domínio da técnica.
O mangá de Dragon Ball Super reforça esse dilema ao explorar o conceito do Instinto Superior como um ideal inalcançável para muitos. Ele é tratado como o auge da arte marcial — uma forma de combate onde a mente se dissolve e resta apenas o instinto puro. Mesmo assim, para Goku, alcançar esse estado significava negar parte de sua identidade.
As limitações físicas e mentais da transformação
A primeira ativação do Instinto Superior trouxe sérias consequências para o corpo de Goku. Durante o Torneio do Poder, ele entrou em colapso duas vezes devido ao consumo massivo de energia. Apesar do progresso em seus treinamentos posteriores, os efeitos colaterais persistiram, especialmente em situações onde ele não conseguia manter a neutralidade emocional exigida.
O desafio não é apenas físico. A estabilidade do Instinto Superior depende da harmonia mental, o que exige um alto nível de autoconhecimento e controle emocional. Goku, aos poucos, aprendeu a canalizar suas emoções em vez de suprimi-las, reinterpretando o uso do Instinto Superior de uma forma mais compatível com sua natureza. Esse novo entendimento promete transformações ainda mais avançadas em seu estilo de combate.
Paralelos com o Mushin: instinto marcial na vida real
A ideia do Instinto Superior tem raízes em conceitos reais das artes marciais, especialmente no estado conhecido como Mushin, ou “No Mind”. Trata-se de uma condição mental em que o praticante atinge tal nível de clareza que é capaz de reagir sem planejamento consciente. É o momento em que a mente deixa de pensar e o corpo assume o controle por reflexo.
Esse estado de alerta absoluto, livre de distrações, é buscado por artistas marciais em diversas tradições. Em Dragon Ball Super, a metáfora se concretiza com Goku elevando-se a um plano em que o pensamento racional se torna desnecessário durante o combate. A luta se torna fluida, quase meditativa, mas exige um equilíbrio que poucos conseguem atingir.
Novos rumos para Goku e o legado de Toriyama em Dragon Ball Super
O arco final da saga dos Super-Heróis em Dragon Ball prepara o terreno para uma nova era em Dragon Ball Super. Com o Volume 24 programado para lançamento em 4 de abril de 2025 no Japão, o mangá marca a despedida de Akira Toriyama da supervisão direta da obra. Este será o último volume com roteiro assinado pelo criador original da franquia.
Esse encerramento simbólico chega em meio a embates grandiosos, incluindo o confronto entre Gohan Beast e Black Freeza, e a expectativa em torno do papel de Goku em futuras batalhas. Enquanto Broly e Gohan assumem destaque em certas frentes, Goku continua em seu próprio caminho, treinando com Whis e explorando novas formas de aplicar o Instinto Superior.
Toyotaro, responsável pela arte do mangá de Dragon Ball, imprime intensidade nas páginas finais do arco. Os personagens de Dragon Ball aparecem com trajes rasgados, expressões marcadas e cenários devastados, refletindo a violência e a emoção dos confrontos. As ilustrações acompanham a evolução de Goku em direção a um domínio ainda mais completo do seu poder, pavimentando um futuro onde ele pode, talvez, se tornar algo além de um guerreiro — um verdadeiro mestre.